AMOR CONTENTO E SOBRO EM VENTO
Janilton Gabriel de Souza
30 de agosto de 2012
Para que chorar,
Quando já se deu a partida.
De nada se resolve agora odiar
Quem um dia fez parte de sua vida.
Não cuspa em seu prato,
Não rasgue o meu retrato.
Não seja um ingrato,
Pois, nunca lhe trataram como um rato.
Sim... replique afirmações,
Mobilize-se nas velhas canções.
Deixe-se suar nas lembranças carreadas de emoções,
Sim... lembre-se de quando o disse e, como se encantaram os
corações.
Talvez... pois a vida é feita de pronomes interrogativos,
Experimentamos, saboreamos a vida feita como aperitivos.
A única certeza de nossa vida é a nossa própria incerteza,
Bobagem quem se define em sua esperteza.
Afinal, há algo maior que uma viruleza[i]:
A de amar,
Por isso, desista de me odiar,
Pois, em parte de sua re-criação ainda existe o meu olhar,
Não importa quem amou, o importante que o fez e ainda continuou a amar.
[i]
Neologismo que o autor inventou: uma junção de vírus e beleza, um jeito poético
de retratar o gozo depreciativo do sujeito.
Este poema foi escrito a partir das reflexões das aulas de psicanálise no Laço Analítico de Varginha.