sábado, 17 de março de 2012

RASCUNHOS DA ALMA



RASCUNHOS DA ALMA
Janilton Gabriel de Souza
11 de março de 2012
Com um lápis se começa
A escrever aquilo que o coração
De tanto sentir, faz oração
Para se ler diante da ameaça.

A escrita é incerta
Até meio deserta.
E nem sempre se comporta,
Prostrada em uma borda.

Por isso, a pena é tomada na mão,
Dentro do peito surgem as palavras,
Que nos arrebata feito o violão.
Os versos singelos, simples, falam do nosso jargão.

Jargão de Jardim
Encoberto de jasmim.
Jargão aquecido e emantado no fogão,
Com ele tenta-se falar de nossa canção.

Canção rascunhada em lápis,
Transcrita em lápides.
Cantada de nossa alma
Provida de nossa calma.

A página em branco
À espera da escrita.
Que fale daquilo que grita
Daquilo que se toma por encanto.

A alma é feita de rascunhos,
Descrita e escrita de próprios punhos.
Os rascunhos vão além de nossa arma
Todos desvelam parte de nossa alma
E assim, velam o que de fato se ama.

sábado, 3 de março de 2012

UM ESTRANHO EM MORADA




UM ESTRANHO EM MORADA

Janilton Gabriel de Souza

Um instante, um silêncio e algo pulsa...
Algo inominável se lança
E quer que a expulsa
Desse jogo a lança.

Lança, que fere
Que o sujeito muitas vezes a prefere
Do que enfrentar aquilo que nele pulsa.
Assim ele quer que a expulsa
Do que ver isso que lhe impulsa.

Mas expulsar não resolve
Então, isso sempre o comove.
Está sempre a persistir
E mesmo que se negue, isso não irá desistir.

Não adianta negar
Muito menos tentar quebrar.
Pois, nessa casa habita um estranho
Que quer agora receber o seu ganho.